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MLB entrega Habitacional Mulheres de Tejucupapo em Recife




Matheus Araújo e Mariana Belfort

Recife-PE


Após 17 anos de resistência, as famílias da Ocupação Mulheres de Tejucupapo conquistaram seu direito à moradia digna. A Ocupação nasceu em 2006, no bairro da Iputinga, com mais de 200 famílias sem teto organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Foram 6 anos morando em barracos de madeirite e lona, e mais 11 anos de luta para a construção do Habitacional. O ato de entrega foi realizado no dia 28 de julho, com a presença da Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e de representantes do Governo Federal.


Para Serginaldo Santos, coordenador do MLB, essa conquista “só foi possível graças à determinação das famílias, que realizaram reuniões, assembleias, manifestações, pararam ruas e ocuparam órgãos do Governo para garantir que, de fato, o sonho da casa própria fosse realizado”. Ao longo dos 17 anos de luta, o movimento enfrentou muita dificuldade porque, apesar de conseguir o recurso para a construção com o Ministério das Cidades, a obra era responsabilidade do Governo do Estado e passou por 4 empresas diferentes.


Ao todo, são 272 apartamentos que contam com dois quartos, cozinha, banheiro e sala. A imensa maioria das famílias é chefiada por mulheres, uma boa parte delas já idosas, que lutaram uma vida inteira para conseguirem conquistar sua moradia, esse é o caso de Dona Margaret Belo, 52 anos, artesã. “É graças à nossa organização que agora temos um lugar digno para morar e relembrar todas as pessoas que fizeram parte dessa caminhada, algumas que, infelizmente, não estão mais aqui. Eu tô feliz, foram muitos anos de luta e de aprendizado, enquanto ocupamos, também estudamos e fizemos cursos pelo movimento”, afirma.


Morar dignamente é direito


O terreno que deu espaço ao Habitacional era de propriedade da Superintendência do Patrimônio da União em Pernambuco (SPU/PE) e, antes da ocupação, estava completamente abandonado. Nessa mesma situação, estão outros 5 milhões de domicílios no nordeste. Essa quantidade, se cumprisse função social, seria capaz de suprir toda a necessidade por moradia na região, que é de, aproximadamente, 2,3 milhões.


Durante a cerimônia, Natália Lúcia, coordenadora da Central de Movimentos Populares (CMP), lembrou que “a luta por moradia digna não se encerra com a entrega do condomínio, porque morar dignamente também significa ter acesso à creche, escola, saúde, lazer e segurança”. Por isso, afirma também que as famílias organizadas permanecerão firmes para cobrar que o compromisso firmado pelo Governo do Estado seja cumprido.


Esse é o segundo Habitacional entregue pelo MLB na cidade do Recife em 2023. No mês de maio, o movimento realizou a entrega do Habitacional Ruy Frazão, em Afogados (Edição Nº 269). Assim, mais uma vez, fica claro que o povo organizado tem muito a conquistar.


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